sexta-feira, 17 de outubro de 2014

Cabeça erguida para continuar lutando

Cabeça erguida para continuar lutando

Mesmo desclassificado, Expresso joga por dignidade e faz a história da competição

        Os boêmio-ferroviários eram os únicos no grupo eliminados com uma rodada de antecipação devido às duas derrotas sofridas nas partidas iniciais do quadrangular. Apesar das boas atuações, os resultados negativos precipitaram a desclassificação da equipe, que entrou no último sábado apenas para cumprir tabela e iniciar sua preparação para a UEFA.
        Havia, no entanto, um interessante espectro rondando a partida, que poderia classificar o Gaudério com uma vitória, dependendo do resultado entre Bazar e PSG: o Expresso havia sido eliminado da UEFA 2012 pelos critérios de desempate numa estranha combinação de resultados que acabou classificando duas equipes que jogavam entre si.
        Acostumado a honrar absolutamente todos os seus compromissos com seriedade incomparável,
apresentando-se para as partidas mesmo sem o número ideal de jogadores (geralmente 13, mas às vezes com 12 e, no último jogo, exatamente com 11), e jamais desrespeitando os seus adversários, o time entrou em campo para mostrar que não levaria adiante condutas antidesportivas, e respeitaria não só o seu oponente direto, o Gaudério, valorizando ao máximo um eventual resultado positivo que este pudesse obter, como também Bazar e PSG, que poderiam, eventualmente, depender da postura ética dos expressanos.
        A partida começou com os aurirubros tomando a iniciativa do ataque, mas o Expresso equilibrou
as ações antes dos 13 minutos e a partir daí dominou amplamente a meia cancha, controlando as movimentações opostas e ditando o ritmo do encontro. O lance de maior perigo ocorreu em cobrança de falta de José Staudt, que bateu firme e o goleiro defendeu em dois tempos. O Gaudério teve, também, apenas uma, quando o filho do Everest disputou com Staudt na área e, caindo, desviou de cabeça pela linha de fundo.
        Na outra partida, Bazar e PSG se engalfinhavam por uma vaga, que ia ficando com o primeiro devido à vitória parcial que obtinha. Descansando para recuperar as escassas forças que mantinham em virtude da inferioridade numérica do grupo, os boêmios prometiam manter a dedicação e jogar também em solidariedade ao capitão Artur Weiss, lesionado gravemente na rodada anterior.
        O Gaudério voltou melhor. Abriu o time ao mesmo tempo em que o Expresso desorganizou-se
na marcação. Pressionou com lançamentos o lado esquerdo de defesa ferroviário, descuidado defensivamente desde a meia cancha. Aos 13 minutos, abriu o placar. Insistindo na ampliação do escore, o oponente seguiu em cima e o jogo tornou-se franco. Mateus Trombetta fez defesa excepcional quando o avante apareceu livre à sua frente e atirou cruzado, no chão. O goleiro estendeu a perna e rebateu com grande presença de espírito, e esta foi a última boa chegada do rival. Aos poucos, retomando o equilíbrio no gramado, o Expresso passou a ganhar terreno, adiantou a marcação e começou a levar perigo.
        Depois de ótima troca de passes pela direita, Staudt recebeu de Allison Raupp e ameaçou o arremate, levando o adversário e preparando-se para atirar da intermediária de frente para o gol quando foi derrubado. Na cobrança, bateu firme e o arqueiro rebateu para cima, ela ficou viva na pequena área e a zaga jogou pela linha de fundo depois de bate-rebate perigosíssimo. Pedro Fernandes conseguia segurar a bola na frente tendo a companhia mais próxima de Raupp, e contavam, ambos, com a aparição de Denis Kroth vindo de trás. Apesar dos erros de passe, Carlos Fernandez ajudava a ditar o ritmo do jogo, e André Silva cadenciava as jogadas ampliando a posse de bola do time. Atrás, Leandro Silveira não era jamais ultrapassado e Cristian Pheula e Marco Viola, o “novo” capitão, lacravam a área. Nathan Silva, pela esquerda, iniciou suas aventurar ao ataque.
        No jogo de fundo o PSG buscava o empate e assim eliminava o Bazar, mas ainda precisava da virada para passar adiante. Com a vitória parcial, o Gaudério estava nas semi. Porém, aos 41 minutos, na 13ª falta cobrada para a área, Fernandez levantou com perfeição. Ela passou assobiando pelo primeiro pau, caindo no lugar certo, um vazio aberto no coração da zaga. Quicou um vez, até que surgiu por trás a reluzente careca de braçadeira, homenageando o ferido Weiss que torcia de casa. Bateu de chapa, pé esquerdo nela, e estufou as redes, estabelecendo o resultado mitológico.
        O Expresso sustentou o empate com a raça de seus 13 guerreiros, 11 deles em campo mais Fernando Gutheil e Ricardo Toscani, que incentivavam de fora. Sustentou a honra do clube e da competição. Ampliou o respeito e admiração que por ele têm os seus adversários mais ferrenhos. E saiu de campo com a cabeça erguida. Para continuar lutando.


Equipe expressana fez história na Farroupilha, demonstrando raça, ética e grandeza.

Expresso da Madrugada 1x1 Gaudério
PT = 0x0
Local: CT Muradás, Canoas
Data: 11/10/14
Horário: 11h30
Copa Farroupilha
Escalação: Mateus Trombetta – Leandro Silveira, Marco Viola(C), Cristian Pheula e Nathan
Silva; Carlos Fernandez, André Silva, Denis Kroth, José Staudt e Alisson Raupp; Pedro Fernandes.
DT: fernando Gutheil e José Staudt.
Gol: Marco Viola.


Expresso da Madrugada 0x2 Bazar Mimo
PT = 0x2
Local: CT Muradás, Canoas
Data: 04/10/14
Horário: 11h30
Copa Farroupilha
Escalação: Mateus Trombetta – Leandro Silveira, Artur Weiss(C) Cristian Pheula e Nathan
Silva; Carlos Fernandez, José Staudt, Vinícius Guimarães, Alisson Raupp e Cristiano de
Souza; Pedro Fernandes. (Denis Kroth e Fernando Fernandes). DT: André Maders, José
Staudt e Marco Viola.

sábado, 4 de outubro de 2014

Vamoooo  Arthur !

Ainda dá!

Ainda dá! Derrota por 3x0 não diz o que foi o jogo e boêmios seguem vivos na briga pela vaga

        Com boa presença de atletas – a segunda maior em todo o campeonato e “sem nenhuma relação” com a passagem de fase do time –, o Expresso estava mobilizado para o dificílimo enfrentamento que teria contra a melhor equipe da Farroupilha. Com 20 pontos na parte inicial do certame, contrastando com os 43 obtidos pelos parisienses, seria fundamental neutralizar as ações do oponente para ampliar as chances de vitória, o que foi conseguido através de excelente funcionamento do sistema tático escolhido pelos jogadores na reunião realizada na casa de Marco Viola na noite da terça-feira passada.
     Jogando com duas linhas de quatro, um armador à frente da segunda linha e um centroavante, o quadro impôs-se na marcação e encolheu o campo de atuação do PSG, impedindo-o de infiltrar e obrigando-o a acelerar os lances e tentar o jogo aéreo.
      A primeira oportunidade de abrir o marcador foi inclusive do Expresso, contragolpe rápido pela esquerda em que Pedro Fernandes, substituto de Fernando Gutheil, lesionado logo aos cinco minutos de partida, tentou um drible a mais e perdeu o tempo da bola e da jogada, não conseguindo concluir; a segunda também, quando Artur Weiss subiu mais que a defesa em batida de falta de Carlos Fernandez e cabeceou no alto para grande defesa do goleiro.
      Forçando chutes de fora da área os franceses não levavam nenhum perigo à meta de Mateus Trombetta, que seguia soberano, apenas com algumas intervenções pontuais. No entanto, também o Expresso não conseguia chegar ao ataque, errando muito passes, perdendo lances fáceis ao escolher mal as jogadas, e forçando demais os movimentos ofensivos com condução de bola excessiva.
       Com o jogo encaminhando-se para o final do primeiro tempo, já nos acréscimos, numa das poucas vezes em que o time colocou a bola no chão e avançava sobre o campo contrário, José Staudt tentou passe de calcanhar para Allison Raupp e errou, cedendo a bola ao lateral direito, que imediatamente enviou-a na diagonal para o avante pelo lado esquerdo, lançamento de 50m, contra o vento. Imiscuindo-se entre Leandro Silveira e Cristian Pheula, ganhou o lance com um toque na frente, entrando cara a cara com Trombetta e desviando com categoria para abrir o escore. Era a única coisa que não poderia acontecer.
        O intervalo, que poderia ser de mobilização total para os últimos 45, visto que a equipe apresentava excelente atitude, posicionamento exemplar e aos poucos ia ganhando terreno, foi de cobranças entre os jogadores, ânimos acirrados e desconfiança. Com a intervenção dos companheiros André Maders, Araldo Neto, Fábio Negão, Martin Both e Rodrigo Dresch, a poeira foi baixando e a análise do jogo recuperou espaço. Artur Weiss saiu por lesão para a entrada de Pablo Figueroa, e o restante do time e o sistema de jogo mantiveram-se inalterados para a tentativa de buscar o empate.
        O PSG voltou esperando, enquanto um intervalo zerado poderia ter dado ao Expresso a larga vantagem de jogar nos contragolpes com muito mais espaços. Ainda assim, mais avançado, cresceu no jogo. Raupp cresceu de produção pela esquerda, e isso deu desafogo melhor por este flanco. Cristiano de Souza entrou em substituição a Vinícius Guimarães e, logo no primeiro lance, sofreu pênalti. Tentou a conclusão e então Toni, o árbitro, deixou passar; Cruzamento de Cristiano de Souza foi cortado pela defesa e caiu nos pés de Carlos Fernandez na meia esquerda, próximo à meia lua. Com frieza, rolou para José Staudt, que vinha entrando de frente para o arco, mas o arremate saiu por cima. Geverton Ost entrou no lugar de Allison Raupp e o Expresso encurralou o PSG, que só saía de trás em lançamentos, geralmente para a esquerda, onde Silveira fez partida impecável na contenção e inviabilizou vitórias pessoais em seu setor. Depois de lance confuso na área e novo pênalti não marcado, agora sobre Denis Kroth, Souza ficou com o rebote e rolou para Staudt arrematar, mas ela ricocheteou na zaga.
       O time insistia em pressionar, e a organização tática propiciava amplo controle da faixa central do gramado, permitindo que o time apertasse o adversário em seu próprio campo. Defensivamente estruturado com eficiência, devido à qualidade do PSG ainda sofria alguns sobressaltos, e Trombetta evitou em duas oportunidades que o oponente ampliasse o marcador. Faltando 15 minutos, Marco Viola, depois de escanteio, tentou impedir contra-ataque rápido quando a redonda estava com o goleiro e acabou recebendo o segundo amarelo, deixando o Expresso com 10. Entretanto, a inferioridade numérica não logrou terminar com a valente pressão boêmio-ferroviária, praticamente partindo para o tudo ou nada.
        Kroth fez novo lance pela direita e foi derrubado, falta que José Staudt bateu no ângulo, mas o goleiro fez ótima e segura defesa; depois de lançamento de Staudt para Ost atrás da zaga, pela esquerda, este ganhou do marcador e cruzou rasante para Cristiano de Souza, sozinho. O zagueiro, desesperado, utilizou-se de um último expediente para tentar livrar-se do perigo e cortou com violência contra a própria meta, bola que não entrou por milagre, saindo caprichosamente pela linha de fundo, por sobre o gol; na cobrança, Fernandez levantou com perigo, a bola bateu no defensor e ficou viva na pequena área, quando foi tirada do bolo novamente para Fernandez, que recolocou-a para o meio, mas muito forte e ela passou por elevação.
       A cinco minutos do fim, então, o PSG matou o jogo com outro lançamento, desta vez atrás de Nathan Silva. O avante dominou e chutou para o meio, onde o centroavante completou sem chances para Mateus Trombetta. Já nos acréscimos saiu o terceiro gol, de novo com espaços pela esquerda de defesa e cruzamento para a definição com categoria do centroavante rubro-marinho.
       No próximo sábado, 9h30, os expressanos entram em campo para decidirem seu futuro na Copa Farroupilha. Com atuações mais marcantes na UEFA nos últimos anos, os boêmios obtiveram nesta edição a classificação que não veio em 2013, e precisam de um resultado positivo para brigar na última rodada pelo título do grupo. O adversário será o Bazar Mimo, tradicional rival, partida que costuma ser de grande qualidade e empenho por parte de ambos os quadros, e que terminou, no turno inicial, com vitória dos rubro-negros por 6x3, momento em que o Expresso iniciou sua sequencia de 4 jogos invicto, sendo 3 vitórias.

Expresso da Madrugada 0x3 PSG
PT = 0x1
Local: CT Muradás, Canoas
Data: 27/09/14
Horário: 11h30
Copa Farroupilha

Escalação: Mateus Trombetta – Leandro Silveira, Artur Weiss(C) Cristian Pheula e Nathan Silva; Carlos Fernandez, Marco Viola, Vinícius Guimarães, Alisson Raupp e José Staudt; Fernando Gutheil. (Cristiano de Souza, Denis Kroth, Geverton Ost, Pablo Figueroa e Pedro Fernandes). DT: José Staudt e André Maders.

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Sábado começa a Epopéia!

Sábado começa a epopeia!

 Apenas o título do grupo da morte interessa ao boêmio-ferroviário, e não vai sobrar nada!

 
 
        O Expresso da Madrugada classificou-se, mais uma vez, à segunda fase da competição Farroupilha. A Exemplo de 90% das oportunidades anteriores, com a última vaga entre os classificados. E a exemplo de 90% das oportunidades anteriores, sem sobrar nenhum ponto pra contar a história. Com 20, um a mais do que o Pampa, primeiro eliminado, a equipe azulada tinha saldo inferior aos auri negros. Cada um dos 20 pontos foi fundamental e imprescindível para o avanço do time aos quadrangulares, o que marca a luta fenomenal que travaram os atletas para superar a eterna inferioridade numérica e o preparo físico inferior devido ao grupo exíguo. Do empate com o Corinthians em 0x0 aos pontos conquistados nos segundo finais contra Azenha e Borrachos; pelas vitórias em sequencia e a invencibilidade contra todos os adversários diretos passam os motivos que colocaram o mais heroico clube do planeta entre os 12 sobreviventes.
        PSG, com 43 pontos na fase classificatória, Bazar Mimo, com 32, e Gaudério, com 30, completam o grupo, que tem na rodada inicial os expressanos encarando o primeiro colocado na geral, às 11h30, no campo 1.
        A história do clube mostra ser plenamente possível vencer o desafio, uma vez que, das 4 finais disputadas pelos boêmios, em 3 delas o time chegou em último ou penúltimo nos mata-matas. Foi o último clube a eliminar o Mônaco, quando buscou um 0x2 no segundo tempo para vencer nos pênaltis depois de empatar aos 41 da etapa final. Quando obteve o título, há 10 anos, disputou a semi contra o campeão da fase inicial, Barcelona, que jogava pelo empate. Venceu por 1x0 e deu a volta olímpica ante o Corinthians ao batê-lo por 3x2.
 

 
Fardamento auri-celeste homenageia o time campeão da Farroupilha 2004.
 
 
Campanha vitoriosa marca os 10 anos da Volta Olímpica
São 4 finais na década: um título, um abandono de campo e incontáveis erros de arbitragem

        Não será surpresa para os mais atentos um sucesso retumbante na reta final do certame. Sempre descartado da luta pelo título, nem por isso o Expresso deixa de figurar na galeria dos campeões e das equipes mais bem ranqueadas da Farroupilha, onde travou embates épicos contra o Corinthians, tendo superado a arbitragem em uma das ocasiões. Na temporada atual, por ocasião dos 15 anos dos boêmio-ferroviários, a torcida divulgou em seu sítio na rede mundial de computadores (www.volksarmee.com.de) o hino do povo, versão mais carisma do hino anteriormente composto para o clube, que promete tornar-se oficial em referendo marcado para o dia 31 de novembro. Com base semelhante a das canções compostas por Lamartine Babo, pode ser ouvida em todos os jogos do Expresso, quando então o elenco se transforma dentro das quatro linhas e suplanta os adversários puramente no espírito e no coração. Segue abaixo a letra, e a foto do momento em que os seus compositores deram como pronta esta verdadeira obra-prima em homenagem ao mais ferrenho contendor futebolístico da face da Terra:
 
 
Vamos Expresso,
Vamos Boêmio,
A nossa estrela vai brilhar
 
 
Arranca a vitória,
No peito e na raça,
Com a galera a te empurrar
 
 
E a cada conquista,
Pela Madrugada,
Esta canção que a gente fez
 
 
Cantaremos,
De ceva na mão, campeão
Outra vez.
 
 



Confecção artesanal do Hino do Povo

 

        Na penúltima rodada a coruja foi derrotada pelo Ipanema, e adiou para o sábado seguinte a sua classificação para a segunda fase. Com a vitória do Azenha sobre o Pampa por 4x2, avançou, então, o time rumo à luta por uma vaga nas semifinais.
 
Expresso da Madrugada 1x4 Ipanema
PT = 0x0
Local: CT Muradás, Canoas
Data: 06/09/14
Horário: 11h30
Copa Farroupilha

Escalação: Araldo Neto Leandro Silveira, Artur Weiss(C) Cristian Pheula e Allison Raupp; Ricardo Toscani, Carlos Fernandez, José Staudt, Pedro Fernandes e Geverton Ost; Fernando Gutheil. (Cristiano de Souza, Denis Pheula e Fernando Fernandes). DT: José Staudt.

Gol: Artur Weiss.

 
Azenha 4x2 Pampa
Data: 20/09/14
Horário: 13h30

 
 
 

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

Do servilismo à Revolução: “1, 2, 3 EXPRESSO”


Do servilismo à Revolução: “1, 2, 3 EXPRESSO”

Após 75 minutos de subserviência, time supera derrota por 0x3 e conquista empate no final

      Desde as primeiras rodadas era conhecido do grupo boêmio-ferroviário o desafio de enfrentar as melhores equipes da competição, quase todas elas, nas rodadas iniciais. Tendo em vista esta excepcionalidade da tabela, firmaram um pacto de preparar o time para o momento decisivo, o do embate com adversários diretos na luta pela classificação na parte final da Farroupilha. Desde o segundo compromisso apostando em marcar à frente e tirar o espaço dos oponentes já na saída de bola, o Expresso foi construindo um sistema sólido de contenção e, em seguida, passou a marcar gols. Da sexta à nona rodadas, depois de 4 derrotas e um empate nos cinco jogos iniciais, o time obteve 10 dos 12 pontos disputados, e parecia encaminhado para consolidar-se como força emergente do certame. No entanto, muitos jogadores desapareceram ou tiveram compromissos particulares ou profissionais, prejudicando a continuidade da evolução técnico-tática, e, apesar de ter mantido-se invicto contra rivais diretos, a pontuação avançou a passos de tartaruga. Além disso, muitos dos que ficaram passaram a questionar a proposta tática do time, e o resultado disso foi a desorganização dentro de campo, levando a perda de pontos importantes quando o prognóstico era de chegar à classificação com algumas rodadas de antecipação.
     Na manhã do último sábado o Expresso parece ter chegado ao fundo do poço em termos de comprometimento, apresentando acintosa desorganização e descumprimento de determinações da comissão técnica, encarando a esmo o Borrachos e expondo-se ao ridículo e à derrota. Realizando sua pior partida no campeonato, levava 2x0 aos 65 minutos, quando o treindor-jogador José Staudt revolveu a formação da equipe, mudando peças e posicionamentos, reestruturando-a conforme havia sido idealizada meses antes. Um minuto depois, porém, Leandro Silveira cometeu pênalti inacreditável e o Borrachos chegou aos inalcançáveis 3x0.
     Entretanto o realinhamento do quadro parecia ter influência cósmica, e a modificação do panorama foi avassaladora.

Revoluções por Minuto

     Tudo parecia definido quando Araldo Neto saiu para o lado direito e a bola voou para o esquerdo no pênalti que ampliava a vantagem dos alvicerúleos. Abatidos em campo, os boêmio-ferroviários agiam mecanicamente no gramado, fazendo a bola circular de um lado para o outro, quase esperando pelo apito final. Mas então, com a nova formação que já havia sido gestada e inclusive experimentada ante situações terrivelmente desfavoráveis, um evento inesperado ocorreu: com a redonda pela direita de ataque, o meia contrário carregou-a displicentemente até chegar um marcador expressano em piloto automático. O meia, então, tentou aplicar-lhe um balãozinho. Com ela parada sobre a grama. Pode ter sido o gatilho que esperava para ser acionado, transbordando toda a frustração dos azulados com a atuação vexatória e passiva que desempenhavam. É desnecessário dizer que o lance não teve continuidade, visto que 3 corujas atacaram-no simultaneamente, recuperando a esfera e recolhendo-a com raiva e brio. Recobraram o ânimo, completamente abatido. Realinharam-se em campo, com o único objetivo de responder. E com isso veio o primeiro gol, de pênalti, jogada de Allison Raupp, já remanejado para o ataque, que enviou a redonda para Staudt por cima, e este, dominando-a no peito, foi abalroado pelo zagueiro pelas costas para depois converter a cobrança. O gol, 30 do segundo tempo, incendiou o time, que avançou definitivamente sobre o campo borracho, amordaçando sua tentativa de evitar a pressão irresistível, e mostrando todo o potencial que o Expresso recusa-se a deixar florescer por puro complexo de vira-latas.
     Aos 35, Fernando Gutheil, agora como cabeça de área, e não mais como centroavante, combateu como um soldado do povo na batalha de Stalingrado contra os nazistas na Segunda Guerra, e, avançando a linha de marcação, tomou a bola na intermediária ofensiva, que caiu para Vinícius Guimarães. Este dominou-a e deixou-a voar por sobre o goleiro, lá de longe, com um leve toque de pé direito que soterrou as esperanças contrárias de segurar a vitória. Era um bombardeio.

     El Condor Pasa

     Araldo Neto, arqueiro que por anos fechou a meta boêmia, agora é recrutado ocasionalmente, geralmente quando Mateus Trombetta, o melhor arqueiro da UEFA 2013, não pode comparecer. Sempre lesionado, não sente o peso sobre as largas asas e domina, apesar das dificuldades, o velho espaço que se acostumou a defender.

     Foram muitas as intervenções que foi obrigado a realizar durante o jogo, mas nenhuma delas tão colossal quanto a última, Borrachos 3x2, 40 minutos da etapa complementar. O adversário escapou por um segundo da marcação implacável a que era submetido incessantemente havia, já, 10 minutos. Com Leandro Silveira a persegui-lo, chegou à área com suas últimas forças, tendo apenas Condor Neto à frente para matar o jogo e talvez selar o destino do Expresso. No momento decisivo, com Silveira lançando-se contra ele, disparou rasteiro, já acossado, também, pelo monstro de asas. Ela desviou, encaminhou-se para o arco e passou assobiando como o Minuano, tirando tinta do poste e saindo pela linha de fundo. A defesa proporcionou à equipe seguir lutando e, aos 43, depois de excelente troca de passes no meio, Pedro Fernandes, que havia ingressado na frente, surgiu por entre os defensores e foi agarrado na área, em pênalti mais uma vez convertido por José Staudt. 
     A insistência continuou e, por fim, um miserável detalhe impediu que o Expresso, na pressão infernal a que submetia o oponente, chegasse à vitória inesquecível, pois cruzamento de Guimarães passou pela zaga e achou Staudt quase na linha de fundo, que bateu para o meio e a bola encobriu o goleiro, oferecendo-se limpa no interior da pequena área, onde quicou uma, duas vezes antes de ser rechaçada dali por um desesperado retaguardeiro que só pensava na cerveja que não chegava nunca.


Expresso da Madrugada 3x3 Borrachos

PT = 0x1
Local: CT Muradás, Canoas
Data: 23/08/14
Horário: 9h30

Copa Farroupilha

Escalação: Araldo Neto – Leandro Silveira, Artur Weiss, Marco Viola(C) e Cristian Pheula; Ricardo Toscani, Carlos Fernandez, José Staudt e Allison Raupp; Geverton Ost e Fernando Gutheil. (Fernando Fernandes, Pedro Fernandes e Vinícius Guimarães). DT: José Staudt.

Gols: José Staudt (2) e Vinícius Guimarães.

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

Expresso se desorganiza e deixa escapar a vitória

Expresso se desorganiza e deixa escapar a vitória

      Time esteve à frente do placar por duas vezes e permitiu o empate do Bordô voltando a atuar depois de quase uma era, expressanos demonstraram falta de embocadura para dar um salto na tabela e se distanciar da briga pelas últimas vagas de classificação. Ainda assim, aproveitando a ausência de um adversário, puderam dominar amplamente os primeiros 45 minutos, criando ótimas oportunidades para definir o resultado logo no começo.
      Em tiro de longa distância, José Staudt abriu o placar com um golaço em que o arqueiro
rival nem sequer se moveu, e na sequencia o time quase ampliou em chute colocado de Geverton Ost no ângulo, salvo milagrosamente. A distância entre a linha mediana e a de defesa causava problemas defensivos desnecessários ao time, que dava espaços demais no flanco direito, e também em frente à área, com flutuações de um dos meias. Depois de deixar de ampliar quando Fernando Gutheil bateu fraco na saída do goleiro, bola que foi cortada sobre a linha pela defesa, o Expresso sofreu o empate em gol de rebote, já contra 11 jogadores.
      A equipe, contudo, seguiu pressionando com chutes de média distância de Ost, Staudt e Allison Raupp, e em algumas triangulações, que levavam extremo perigo ao oponente, mas que não eram trabalhadas pelo time. Nathan Silva quase anotou ao tabelar pela esquerda. Em jogada individual, Raupp passou pela defesa e cruzou, a bola bateu no braço aberto do zagueiro e o árbitro apontou pênalti. Geverton Ost atirou com categoria e recolocou o time em vantagem.
     No segundo tempo, porém, a atuação azulada caiu de produção. Os espaços deixaram de aparecer tanto nas flutuações, mas os balões da zaga contrária caiam à frente da defesa boêmio-ferroviária, desatenta. Na armação, erros de passe infinitos impediam um maior volume e melhor chegada à frente, e lançamentos a esmo impediam a conclusão das
jogadas. Contragolpes passaram a ocorrer com frequência, mesmo com o time na frente no escore. E assim, após confusão entre Cristian Pheula e o reestreante Pablo Figueroa, o Bordô aproveitou espaço pela direita e invadiu a área, momento em que Pheula cometeu penalidade máxima. 2X2.
     Apesar de todos os problemas técnicos que apresentava, o Expresso ainda tinha as melhores chances, e Mateus Trombetta quase não trabalhava. José Staudt não alcançou cruzamento de Ost quase sobre a linha da pequena área; Pedro Fernandes golpeou de cabeça e Marco Viola bateu desequilibrado a um passo do gol, por cima; Bruno Rodrigues recebeu de Figueroa na direita e cruzou para trás, onde Fernando Gutheil deslizou para tocar para o gol vazio, bola que bateu no defensor sobre a linha e foi rechaçada para a intermediária; Pablo Figueroa recebeu de Staudt depois de ótima jogada de Allison Raupp e, livre, arrematou fraco, para outra boa defesa do guarda-metas; e, na última oportunidade, Carlos Fernandez cobrou escanteio da esquerda e Staudt desviou para o meio da pequena área, onde não apareceu ninguém para empurrar a bola para a rede.
      O time ainda teve a expulsão de Rodrigues em lance em que sofreu pênalti não marcado e se desentendeu com o adversário, ainda caído, o que atrapalhou a movimentação da equipe e dificultou a armação da meia-cancha, além de ter perdido a outra metade de Geverton Ost quando este, já morto, começou a sentir fisgadas generalizadas no posterior da coxa.


Expresso da Madrugada 2x2 Bordô
PT = 2x1
Local: CT Muradás, Canoas
Data: 09/08/14
Horário: 13h30
Copa Farroupilha
Escalação: Mateus Trombetta – Ricardo Toscani, Cristian Pheula, Marco Viola(C) e Nathan
Silva; Carlos Fernandez, José Staudt, Pedro Fernandes, Allison Raupp e Geverton Ost;
Fernando Gutheil. (Bruno Rodrigues e Pablo Figueroa). DT: José Staudt.
Gols: Geverton Ost e José Staudt

quarta-feira, 9 de julho de 2014

Importante ponto em duas rodadas sem plantel

Importante ponto em duas rodadas sem plantel

All Blacks e Pampa foram os adversários, e um empate colocou o Expresso no G12

A primeira partida foi jogada no barral do campo 4. Condições que favoreciam o rival, que joga fisicamente, dificultaram muito o trabalho dos poucos expressanos que compareceram ao embate. Desfalcados de muitos jogadores, apresentavam apenas 12 homens, sendo que um deles sem condições de atuar, e o outro vindo do time de veteranos. Além de tudo, foram necessárias improvisações em todos os setores.
Mesmo assim foi a coruja que tomou a iniciativa, e antes do 20 minutos já havia perdido 3 chances claríssimas de marcar, uma com José Staudt, dentro da pequena área, e duas com Leandro Silveira, também em excelentes situações. O All Blacks anotou seu primeiro tento em falta não marcada sobre Mateus Trombetta, e o segundo numa falha de posicionamento da defesa, que permitiu a entrada do avante às suas costas.
Na segunda etapa o time ainda descontou com Staudt, cobrando pênalti sofrido por ele mesmo, e o jogo voltou a ficar aberto. Entretanto, na saída de bola, Cristian Pheula cortou para trás cruzamento da direita e anotou, contra, o terceiro gol dos neozelandeses.
Ricardo Toscani não tinha nenhuma possibilidade de continuar em campo, mas foi Vinícius 'Ironman' Guimarães, com seu preparo físico inigualável, quem saiu para a entrada de Marco 'Loco' Silva (este impedido de jogar pelo departamento médico devido à cirurgia que realizara na boca). Mais tarde foi a vez de Artur Weiss sentir pela enésima vez a coxa e deixar o lodaçal, limitando o time a apenas se defender. O quarto gol saiu quase ao final, depois de o Expresso desperdiçar mais 2 bons lances, um com José Staudt, quando driblou o zagueiro e tentou cruzar, e outro com Thiago Silva, que bateu de fora da área quando poderia ter avançado até a meta.
Já na partida seguinte, contra um adversário direto, o Expresso, ainda que muito desfalcado, teve melhores possibilidades graças à escalação menos improvisada. Já saiu ganhando com um golaço de Pedro Fernandes depois de receber passe antológico de Allison Raupp, colocando com categoria na saída do arqueiro. O Pampa era dominado amplamente pelo Trem Fantasma, e conseguia impedir a progressão do time apenas com faltas. Marco ‘Loco’ Silva deixou a carne no fogo e soterrou os avantes pelo seu lado de defesa, do mesmo modo que Nathan Silva. Cristian Pheula, sem chutar para trás, e Marco Viola neutralizavam quaisquer ataques, e davam excelente saída de bola ao time (estamos falando de Pheula...). No meio, desta vez com 5 integrantes, Vinícius Guimarães, André Silva e Carlos Fernandez executavam com maestria as funções já há tanto desempenhadas na equipe, e mais à frente, diferindo de jogos anteriores, o time mantinha apenas Fernandes no ataque, com Raupp e José Staudt aparecendo de trás a todo momento.


Costelão de Loco, assado desde as 8h da madrugada (expressa).

Depois de uma confusão na defesa boêmia, André Silva acabou expulso junto com o adversário, apesar de nada ter feito para tal. Com 10 para cada lado o time manteve-se muito bem organizado, reposicionando o meio de campo com inteligência. Lamentavelmente, no entanto, foi o Pampa quem anotou, aproveitando falha defensiva.
Com mais espaços no campo, o auri-negro esperava dominar as ações graças ao seu jogo de vigor físico e à qualidade de um ou dois jogadores de articulação, mas o que se viu foi o Expresso muito atento e jogando com sabedoria. Em contragolpe fulminante Nathan Silva avançou pela esquerda e cruzou na medida para José Staudt atrás da marcação. Este, porém, foi agarrado e derrubado no momento do arremate, conseguindo, todavia, concluir de peixinho enquanto desabava. O toque fatal e sem querer pegou o goleiro desprevenido, recolocando o time em vantagem.
Na etapa final, sempre jogando melhor, teve Guimarães expulso vergonhosamente, uma vez que recebera cartão amarelo no primeiro tempo em lance em que fora agredido. Com um a menos e nove em campo o time se desdobrou heroicamente e sustentou a vitória até os 35 do segundo tempo, quando cedeu o empate. Encurralado na defesa, passou apenas a tentar dramaticamente impedir a virada do Pampa, que estava sendo construída pelo árbitro a cada ataque, visto que marcava faltas inexistentes para esta equipe e nada apontava para o Expresso. Já com Fábio Negão compondo a lateral direita no lugar do outro veterano e churrasqueiro, 'Loco' Silva, o time mostrava, a cada minuto que passava, aguerrimento maior, com Allison Raupp e Pedro Fernandes segurando 4 defensores do Pampa na retaguarda.
Mesmo com tudo isso contra si, por um triz o elenco ferroviário não saiu com a vitória quando José Staudt arrematou de fora da área com violência e o goleiro fez defesa monumental, tocando com a ponta dos dedos a redonda pela linha de fundo. No escanteio Marco Viola subiu mais que a defesa e cabeceou para fora.

Os jogadores saíram de campo festejando o resultado dadas as circunstâncias do jogo, e seguiram direto para o costelão que estava sendo preparado por Marco Silva e Fábio Negão desde as primeiras horas da manhã.


Festa ao final: torcida comemorou o ingresso no G12 ao som de “Martin Gay”

Expresso da Madrugada 1x4 All Blacks
PT = 0x2
Local: CT Muradás, Canoas
Data: 19/06/14
Horário: 10h
Copa Farroupilha
Escalação: Mateus Trombetta – Vinícius Guimarães, Cristian Pheula, Artur Weiss(C) e Nathan Silva; Ricardo Toscani, André Silva, Carlos Fernandez e José Staudt; Thiago Silva e Leandro Silveira. (Marco Silva). DT: José Staudt.
Gol: José Staudt

Expresso da Madrugada 2x2 Pampa
PT = 2x1
Local: CT Muradás, Canoas
Data: 21/06/14
Horário: 11h30
Copa Farroupilha
Escalação: Mateus Trombetta – Marco Silva, Cristian Pheula, Marco Viola(C) e Nathan Silva; Vinícius Guimarães, André Silva, Carlos Fernandez, José Staudt e Allison Raupp; Pedro Fernandes. (Fábio Negão). DT: José Staudt.

Gols: José Staudt e Pedro Fernandes.

segunda-feira, 26 de maio de 2014

Excepcional triunfo boêmio

 Excepcional triunfo boêmio
Desmantelado, exaurido e feroz, Expresso sobrevive ao Aliança, vence e segue na luta

Na manhã/tarde do sábado, dia 17 de Maio, 11 lutadores foram a campo apoiados pelos companheiros impossibilitados de enfrentar o desafio de vencer o Aliança, divisor de águas entre os classificados e os eliminados até aqui na Farroupilha.
Desfalcado de muitos importantes jogadores, o time teve entre os iniciantes o mítico guardavalas Araldo Neto, já que Mateus Trombetta recupera-se de infecção intestinal; o volante Ricardo Toscani, que fora vetado pelo Departamento Médico com uma lesão na virilha mas foi obrigado a começar; e Fernando Gutheil – líbero contra o Azenha e centroavante contra o Aliança.
Sem lateral direito de ofício, Cristian Pheula foi improvisado no setor, e Toscani, que não podia correr, começou na função de José Staudt, recuado. Mesmo assim foi o Expresso que tomou a iniciativa do jogo, obcecado pelo único resultado que lhe servia: a vitória.
Tentando marcar no campo de ataque apesar das dificuldades táticas, controlava bem a saída do adversário, brigando com sucesso pela posse de bola no meio e armando boas jogadas de ataque. Após bonita combinação entre Vinícius Guimarães e Ricardo Toscani, Gutheil recebeu na intermediária e bateu seco, bola salva pelo goleiro com extrema dificuldade em dois tempos; Geverton Ost tabelou com Fernando Gutheil, abriu no fundo para José Staudt, que cruzou com perigo para a surpreendente chegada na área do lateral Nathan Silva, que não anotou por um segundo depois de sensacional movimentação ofensiva.
Defensivamente intransponível por ambos os lados, no miolo de defesa não era diferente. Rodrigo Dresch, Marco Viola e o capitão Artur Weiss impediam penetrações pelo setor. O Expresso, então, conseguiu o seu gol quando Staudt novamente foi à linha de fundo e cruzou entre os zagueiros, que ficaram indecisos. Gutheil lançou-se em direção à esfera que sobrava perdida em meio à zaga, impulsionou-a para cima, por sobre o goleiro, e fez o time pular na frente!
Depois disso começou o suplício! Com Toscani tentando se mover sem sucesso, Geverton Ost foi lançado em profundidade às costas da zaga por Guimarães. Ganhava parcialmente a disputa com o oponente até que foi vencido por fisgada no posterior da coxa, levando a mão ao local e diminuindo a velocidade até parar por completo. Ainda tentou ficar mais um pouco, o que foi impossível depois que, outra vez Vinícius Guimarães, enviou-lhe lançamento de 50m, no qual tentou arrancar, o que impediu-o de permanecer em pé. O Expresso ficava com um homem a menos. Eram, ainda, 25 minutos.
O tempo negava-se a correr, enquanto apresentava-se tardiamente para o embate o uruguayo Carlos Fernandez, muita experiência em demorar para fardar-se. Ainda eram 30 minutos quando a impressão era de 44; 35, quando a certeza era de 60. O primeiro tempo, aparentemente interminável, encerrou-se com virtualmente 85 minutos jogados, pelo menos para o físico de que dispunham os expressanos.
No intervalo apareceu novo soldado, substituto do companheiro de valor inestimável Ricardo Toscani. André Silva, cujo talento pôde-se ver logo na primeira participação da etapa, assumindo a responsabilidade pela armação da jogada e levando 3 adversários a dribles, levou a bola para o canto ofensivo do campo e lá sofreu a falta. O trem fantasma recobrou ânimo, deixou o campo que habitara exclusivamente nas últimas várias horas, o de defesa, e aventurou-se no ataque.
A terra, então, tremeu mais uma vez quando avançou pela direita com ímpeto arrasador. Não era Fernando Gutheil caindo o motivo do tremor desesperante. Não, era Viola. O volante inextinguível trabalhou-a com Fernandez, que se colocava pelo meio na intermediária. Antes de recolhê-la, porém, assistiu ao momento derradeiro da existência de Guimarães no jogo, quando passou em velocidade suicida pela linha da bola, abrindo as pernas para fazer o corta-luz que cegou dois adversários e deixou Carlos Fernandez em liberdade similar à de Adão. De posse da redonda enveredou para o meio na diagonal, aproximando-se da cabeça da área. José Staudt, então, surgiu zunindo pela esquerda. O uruguayo, que já engatilhava a canhota, reconsiderou, rolando-a magistralmente para o companheiro que passava aos berros, rente ao adversário que o tentava perseguir. O oponente ainda conseguiu raspar de leve nela, o que só ajeitou-a ainda mais para o meia celeste, que soltou o petardo de fora da área enviesado, rasante e indefensável! Goooooolll!!!! O Aliança assistia à cena perplexo, 20 jogadores compondo o grupo que lamentava profundamente.
A seguir, Leandro Silveira, outro que chegava para impedir o esfacelamento total do time, assumia a vaga no ataque e realinhava o sistema tático, que tinha validade de mais aproximadamente 5 minutos.  Araldo Neto há muito vinha sendo chamado a trabalhar, e no mais mágico dos momentos saiu do arco fechando o ângulo e amedrontando o avante rival, que chutou de qualquer maneira. A redonda, entretanto, foi fugindo, fugindo em direção à meta, no que Neto executou rolinho notável contra ela, agilidade incomum para desviá-la com a ponta das barbatanas a escanteio e assim praticamente sepultar as possibilidades do quadro rubro-azulado.
Silveira, então, já aquecido, em dois lances quase saiu na cara do goleiro, perdendo na corrida para os defensores; no terceiro, atirou com efeito tão grande que errou o alvo por milímetros; no quarto, ganhou e perdeu 2 vezes, até forçar o defensor a empurrar a bola pela linha de fundo unicamente devido ao pavor. A última jogada lúcida do Expresso no jogo foi o escanteio, que Carlos Fernandez cobrou com perfeição e Marco Viola usou seu último fio de cabelo, que é branco e mais endurecido, para encobrir o estático goleiro e empurrar a terceira bola para o fundo das redes! Era a vitória!
Porém o escanteio foi, de fato, a última jogada lúcida do Expresso no jogo. As pernas não obedeciam mais ao cérebro, que também mal e porcamente funcionava. Exatos 60 segundos depois de marcarem o gol que praticamente garantia os 3 pontos, os ferroviários sofriam, em pênalti inexistente, o primeiro gol do Aliança; na saída de bola, que perderam com facilidade infantil, escaparam de levar o segundo, isto aos 38 minutos da etapa complementar de um jogo em que Tony prometera 5 de acréscimo. Aos 48 o Aliança descontou mais uma vez. Todavia a esfera levou 5 horas para voltar ao círculo central, e quando finalmente apareceu, com lua e céu estrelado, já era hora de sair pra festa!

Expresso da Madrugada 3x2 Aliança
PT = 1x0
Local: CT Muradás, Canoas
Data: 17/05/14
Horário: 11h30
Copa Farroupilha
Escalação: Araldo Neto – Cristian Pheula, Rodrigo Dresch, Artur Weiss(C) e Nathan Silva; Marco Viola, Vinícius Guimarães, José Staudt e Ricardo Toscani; Geverton Ost e Fernando Gutheil. (André Silva, Carlos Fernandez e Leandro Silveira). DT: José Staudt.
Gols: Fernando Gutheil, José Staudt e Marco Viola.

terça-feira, 20 de maio de 2014

Com sabor de vitória

Com sabor de vitória
Expresso nega-se a entregar os pontos e arranca o empate aos 49 minutos do segundo tempo

Mais uma vez o Expresso demonstrou poder de indignação e luta pra minimizar o resultado negativo e a péssima atuação da arbitragem de Adriano. No último sábado a equipe empatou em 1x1 com o Azenha, adversário direto na briga pela classificação, e segue com planejamento intacto para o restante da competição, com 4 pontos nos últimos 2 jogos.
Tentando desvencilhar-se de uma sequência ruim de resultados nas rodadas iniciais da Farroupilha, o time da coruja foi a campo com a missão de obter uma vitória contra o Azenha, que igualmente não está bem colocado. Mais tranquilo depois dos 3x1 aplicados sobre o Gaudério no Dia do Trabalhador, novamente propôs o jogo com uma marcação agressiva, tirando espaços até mesmo no campo de ataque. O oponente sentiu o impacto da ação e não conseguiu colocar em prática seu melhor futebol, o que levou o Expresso a dominá-lo territorialmente e a criar as melhores oportunidades.
Logo no início Geverton Ost escapou às costas do lateral esquerdo e foi puxado a um passo da entrada da área pelo flanco, quando entraria livre na cara do goleiro. O árbitro Adriano, pra variar, não apresentou cartão amarelo para o zagueiro e prejudicou o Expresso pela primeira vez. Na cobrança Ost bateu com perigo, o arqueiro rebateu para o meio, mas ninguém conseguiu pegar o rebote.
Pouco depois, em nova trama excelente do ataque celeste, José Staudt achou Ost em projeção quase na meia-lua, tabelou com ele pelo ar e arrematou de sem-pulo com o pé direito, bola que passou muito perto do poste, com o guarda-metas já batido. Na sequência, novamente Ost foi acionado, agora pela direita. Levou a marcação para a linha de fundo e bateu para outra defesa do goleiro contrário. Escanteio.
A pressão expressana em busca do gol que o colocaria em muito melhor posição na tabela seguia firme, já que defensivamente a solidez permanecia a mesma do jogo anterior, aproveitando-se da ausência de Rodrigo Dresch. Diego Rosner fechava o lado direito e saía de trás com facilidade, Cristian Pheula e o capitão Marco Viola impediam a penetração na área com combate incessante aos armadores adversários e Nathan Silva, além de apoiar insistentemente, inviabilizava maiores estocadas em seu setor.
Rosner foi à linha de fundo e levantou para a área, onde Staudt subiu e não achou, mas Bruno Rodrigues apareceu cabeceando forte, só que no meio; Pedro Fernandes, também de atuação destacada, abriu na esquerda para Staudt, que cruzou com muito perigo, bola salva com a ponta dos dedos pelo goleiro quando Geverton Ost se preparava para anotar; Ost puxou contragolpe perigosíssimo de 3 contra 3, mas demorou a soltar a bola e, quando o fez, errou o passe para Fernandes.
Nas poucas vezes em que o ataque alvinegro batia a marcação expressana, parava na varredura derradeira de Fernando Gutheil. Limpando a sua zona de atuação, dava início a novas evoluções do time, e impedia qualquer sobressalto nas proximidades da meta de Mateus Trombetta. No entanto, talvez antevendo as dificuldades apresentadas pelo Azenha para progredir, Adriano começou a interferir no jogo ao pará-lo sempre que o Expresso recuperava a bola perto de sua área, em especial em lances com o cai-cai camisa 11. Iniciou, também, a distribuir cartões amarelos aleatoriamente aos jogadores azulados, e a possibilitar que o alvinegro levantasse a bola no tumulto. Numa destas ocasiões em que nada ocorreu, Welinton, o bandeira, assinalou falta absolutamente inexistente. Na cobrança, com um homem fora da barreira e a 30 cm do goleiro Trombetta, em impedimento de pelo menos 5m, o adversário abriu o placar, para desespero do Expresso. Os jogadores partiram para cima do juiz, com terrível histórico de atuações prejudiciais ao time. Haviam avisado muito antes da cobrança de que aquele elemento estava em posição irregular. Nada disso surtiu efeito e Adriano seguia convicto da validade do tento. Ainda assim foi persuadido a ir até o bandeira, e correu para consultá-lo. Porém este, desgraçada e absurdamente, confirmou a marcação do gol. Inconformados, os expressanos ainda tentaram o empate nos minutos finais do período, quando Rodrigues bateu da entrada da área, livre, para boa defesa do goleiro.
A única coisa que impedia o Expresso de já estar ganhando eram os erros de passe e o excesso de preciosismo ao tentar jogadas individuais desnecessárias. Os dribles deixaram de ocorrer com tanta frequência na etapa complementar, mas os passes até pioraram. Contudo José Staudt teve a melhor chance de todo o jogo ao dominar no peito atrás da zaga cruzamento de Nathan Silva e bater livre na saída do goleiro, mas com força excessiva e por cima, perdendo o gol feito na risca de pequena área, aos dois minutos.
O jogo tornou-se aberto, e ambas as equipes jogavam para a frente. O Azenha passou a desperdiçar oportunidades no contra-ataque ao errar o último passe ou drible, sem conclusões perigosas; o Expresso abriu-se para tentar o empate, o que ao menos evitaria o pior. Fernandes recebeu de Staudt no meio da defesa e bateu fraco; Ost atirou prensado quando já invadia a área; Fernandes, depois de bate-rebate em que o adversário tirou a bola na área com a mão, atirou desviado perdendo nova e belíssima ocasião.
Thiago Silva entrou no lugar de Bruno Rodrigues, e a equipe abriu-se ainda mais. Em jogada pela esquerda não sofreu pênalti por 10cm, bola que foi cobrada por André Silva e afastada de dentro da pequena área pela zaga do jeito que pôde; Geverton Ost bateu outro escanteio venenoso e ela chegou até Gutheil, que dominou na marca da cal, mas deixou-a escapar, perdendo lindo momento; Ost, novamente, conseguiu vencer a disputa na linha de fundo pela direita e cruzou no segundo pau para Staudt, que entrava atrás do goleiro batido. Este cabeceou-a dividindo com o zagueiro que havia entrado minutos antes, e que conseguiu salvar com a nuca quando o gol já estava aberto para o empate.
O Expresso seguia insistindo, agora com Allison Pheula em substituição a Diego Rosner na direita. Entretanto o preparo físico ia desvanecendo, e as oportunidades não surgiam com as mesmas frequência e clareza. Só que Thiago Silva cavou escanteio, Geverton Ost cobrou no tumulto e José Staudt foi agredido com um soco pelo zagueiro com o qual já vinha se estranhando havia alguns minutos. Pênalti! Foi-se a derrota! Aos 49 minutos Ost bateu  num lado, o goleiro voou para o outro, e o Expresso saiu com importantíssimo ponto que o coloca em totais condições de buscar a vaga para a segunda fase da Copa Farroupilha.
No sábado que vem, 11h30, devido a alteração nos horários da competição em virtude da ausência de luz natural nas partidas das 16h, enfrenta o Aliança em mais um jogo decisivo, onde só a vitória interessa.
Expresso da Madrugada 1x1 Azenha
PT = 0x1
Local: CT Muradás, Canoas
Data: 10/05/14
Horário: 10h
Copa Farroupilha
Escalação: Mateus Trombetta – Diego Rosner, Cristian Pheula, Fernando Gutheil e Nathan Silva; Marco Viola(C), Bruno Rodrigues, André Silva e José Staudt; Geverton Ost e Pedro Fernandes. (Allison Pheula e Thiago Silva). DTs: José Staudt, Leandro Silveira e Vinícius Guimarães.
Gol: Geverton Ost.

terça-feira, 13 de maio de 2014

Na senda da Revolução

Na senda da Revolução
Trinta e um de dezembro de 1958, Hotel Capri, 23h30. Enquanto bailam desajeitados ao som da rumba, taças de espumante na mão, poucos são os mafiosos estadunidenses que desconfiam de que sua festa em terras cubanas se aproxima do fim. Às portas da cidade de Havana, vindo da vitória épica em Santa Clara, Ernesto Guevara, o Che, avança com sua coluna para render a ditadura sanguinária de Fulgêncio Batista, que neste horário já decola rumo a Miami onde será recebido por seus comparsas do país vizinho. Um pouco mais atrás, o líder máximo da Revolução, Fidel Castro Ruz, chega para fechar definitivamente o ciclo de exploração a Cuba iniciado com a colonização espanhola, ainda no século XV.

Mais de meio século depois, reunidos à beira do gramado, os expressanos deliberam. São 11h55 do dia do trabalhador, 2014, e discutem a continuidade do movimento. Podem voltar a defender, apenas; ou seguir atacando. O time vem perdendo, mas, fora o primeiro tempo da partida contra o Mimo, jogando bem. Vão enfrentar o vice-líder da competição, invicto, 4 vitórias em 5 jogos. Decidem seguir em frente: de derrota em derrota, até a vitória final! Para a desigual contenda sobravam apenas 13 guerrilheiros, número ínfimo se comparado com o de combatentes inscritos, mas quase a mesma quantidade de heróis que haveriam de reconquistar a maior ilha caribenha contra todas as forças e prognósticos. Com a dissidência afastada, era revolução ou morte!
Revolucionários cubanos expulsam norte-americanos e caminham com as próprias pernas!

Desde o segundo inicial o Expresso utilizou-se de todas as armas que poderia para tentar atingir o longínquo objetivo. Aliás, antes mesmo do segundo inicial! Já no sorteio o capitão Arthur Weiss, auxiliado por Bruno Rodrigues, Geverton Ost e José Staudt, apostou todas as fichas no vento minuano que soprava fora de época nos descampados do Muradás. Com poucos homens com quem contar, a tática era usar o que pudesse para obter um triunfo surpresa e, depois, consolidar a ação puramente na coragem. Em poucos minutos, então, Expresso e Minuano rendiam o Gaudério em seu campo, martelavam as posições contrárias incessantemente e, mais do que merecidamente, abriam o placar: jogada pela esquerda de Nathan Silva, cruzamento que a zaga não afastou e conclusão dupla de Geverton Ost!
Rodrigues quase havia anotado antes em duas oportunidades, o próprio Ost por pouco não marcara um golaço olímpico e, depois do gol, Vinícius Guimarães acertou o travessão em cobrança de falta.
O oponente seguia atordoado com a aplicação e qualidade dos soldados boêmio-ferroviários, e suas tentativas de reagir paravam na excelente retaguarda expressana e no vento. Refeito da desorganização da partida anterior, o setor defensivo contava com o retorno de Pedro da Rocha à lateral direita, onde não houve batalhas perdidas; no miolo, Marco Viola e Cristian Pheula mantinham os adversários sob fogo cerrado, e o que passava, parava na cobertura precisa de Weiss. Pela esquerda partiam os contragolpes assustadores de Nathan Silva.
Com uma nova configuração de meio, com Guimarães e André Silva pelos lados do losango, e José Staudt, mais agudo, à frente deles, o predomínio territorial era todo celeste, e a ampliação do escore era questão de tempo. Quando Guimarães sofreu falta na intermediária, Geverton Ost confirmou as previsões do Diretório Revolucionário com um tiro seco e letal que desestabilizou completamente o governo.
Che e os atletas do Madureira, do Rio de Janeiro: clubes comunistas.

Depois do descanso, que serviu para reavaliar a situação em que se encontrava a pelea e discutir as melhores alternativas para frear uma eventual reação, o Expresso retornou disposto a não permitir que o sofrido povo cubano fosse novamente subjugado por aqueles que deveriam zelar pelo seu bem-estar. Imbuídos do mais alto sentimento patriótico-revolucionário, dariam o sangue para manter as conquistas obtidas com tanto sacrifício e, apesar do cansaço, seguiram atuando ativamente na contenção do rival e fustigando-o briosamente quando este abrisse o flanco. Foi assim que Ost, novamente (o seu terceiro no jogo - https://www.youtube.com/watch?v=ZBoqCDSrWi8) ampliou ainda mais a vantagem ferroviária ao colocar por cobertura da entrada da área e praticamente definir a vitória dos rebeldes.
Nem as mais precárias condições em que se encontravam alguns de seus homens, como Rocha, que saiu sentindo cãibras para ser substituído por Ricardo Toscani, que nem caminhar podia, foram motivo para uma queda de performance, e a defesa permaneceu tão segura quanto estava nas primeiras escaramuças. Carlos Fernandez já havia também tomado parte no conflito com grande eficácia ao ingressar para a saída de Vinícius Guimarães, abatido pela cirrose.
No lance derradeiro do combate o Gaudério anotou o seu gol, um arremate indefensável para Mateus Trombetta, nome memorável do encontro. E tão logo soou o apito definitivo, semelhante a um silvo de saudação aos obreiros pelo alcance da meta de produção açucareira ou metalúrgica anual, foi dado início às comemorações pelos novos dias na terra da madrugada.
A revolução continua! A história nos absolverá. De derrota em derrota, até a vitória final!
Vitória da Revolução!

Expresso da Madrugada 3x1 Gaudério
PT = 2x0
Local: CT Muradás, Canoas
Data: 1°/05/14
Horário: 12h
Copa Farroupilha
Escalação: Mateus Trombetta – Pedro da Rocha, Cristian Pheula, Artur Weiss(C) e Nathan Silva; Marco Viola, Vinícius Guimarães, André Silva e José Staudt; Geverton Ost Bruno Rodrigues. (Carlos Fernandez e Ricardo Toscani). DT: Martin Both e José Staudt.
Gols: Geverton Ost.